As marchas de Brasília

Marcha
As marchas de Brasília

Na capital do país, derna dos tempos de JK, tem havido no andar dos anos muitas marchas. Lembro-me, agora, a dos candangos, na poeira que antecedeu as esplanadas onde se erguem os palácios dos poder. No chouto pesado da ditadura, aí pelos anos 74/77, falava-se muito numa andadura “lenta, segura, gradual”. Mais tarde aconteceriam as caminhadas das diretas-já. No final dos anos 90 inventou-se a tal da Marcha dos Prefeitos, que se repete hoje por lá pregando o lema “Pacto Federativo: esperança de vida para os municípios”. Anuncia-se a presença de mais de 5 mil prefeitos do país todo, derna das matas do Acre,  inundado pelas chuvas que fazem transbordar seus rios,  aos sertões secos do semiárido nordestino. Todos chegando à Brasília com passagens e diárias (são oficialmente quatro dias mais dois de sobra, uma semana para fechar o firo), custeadas pelos robustos cofres municipais.

A grande imprensa não tem dado destaque a Marcha que é organizada pela Confederação Nacional dos Municípios, há muitos anos presidida pelo sr. Paulo Ziulkoski, um edil bastante falante.  Apesar dos jornais não darem  destaque a marcha dos prefeitos, fala-se, entretanto, que na Feira do Paraguai a expectativa é de faturamento triplicado.  Mesmo entusiasmo com relação às esticadas  noturnas, nas casas de  animação e,  também,  nas  churrascarias suculentas. A Marcha começou ontem e vai até  quinta-feira, 28.

A crise econômico-financeira e o pega pra capar entre o Congresso e o Palácio do Planalto são manchetes permanentes e motes das colunas especializadas. Domingo, agora, andei lendo Miriam Leitão, analista econômica de O Globo. Título do seu artigo: “Governo sem rumo”. Começa assim:

“Os números e fatos ruins têm feito fila. É um por dia, e, às vezes, mais de uma. Na semana passada, houve aumento de gastos sendo decididos pelo Congresso, desemprego de jovens de 16,2%, quase 100 mil demitidos no mercado formal em abril, e o Banco Central informou que a economia encolheu durante o primeiro trimestre. A ressaca de uma campanha eleitoral equivocada ainda não passou.”

Mais adiante:

“A relação com o Congresso é um tormento diário e uma sucessão de surpresas. A cada dia pode surgir uma novidade que provoque aumento de gastos.”

E em seguida, o arremate da cronista:

– Na semana passada, senadores da base governista, até petistas, se rebelaram contra a política econômica. Argumentaram que  não foi isso  que foi deito na campanha e pediram a demissão do ministro da Fazenda. O ex-presidente Lula foi a Brasília para se reunir com a presidente e passar de novo a impressão de que a tutela. A sensação ainda é de um governo sem rumo, no final do quinto mês do segundo mandato.”

Esquisitices de Brasília

Outro texto que me chamou a atenção, nessa leitura dos jornais, foi a coluna de ontem de Josias de Souza, no portal do UOL. Brasília também é o mote. Diz Josias:

– Brasília é uma cidade dada a esquisitices. Mas poucas vezes esteve tão surrealista como agora. Nesta semana, prefeitos e manifestantes pró-impeachment encherão os espaços políticos da Capital de protestos contra o governo. Enquanto isso, nos gabinetes, PT e PMDB discutirão, como fazem há semanas, sobre quem é o responsável pela paralisia que produz a atmosfera de permanente insurreição. Um partido acusa o outro. E o ministro Joaquim Levy (Fazenda) acha que ambos estão cobertos de razão.

– O PT diz que os caciques peemedebistas Renan Calheiros e Eduardo Cunha conspiram em dobradinha para fatiar as medidas fiscais enviadas por Dilma ao Legislativo. O PMDB reage, indignado, afirmando que quem tem Lindbergh Farias e Paulo Paim como filiados não precisa de traidores.

– Lula aponta deficiências na articulação política de Michel Temer. E Temer queixa-se da desarticulação que Dilma provoca na política ao reunir-se com Lula e o concilio de sábios petistas pelas suas costas. O PT reclama de  espaços no rateio de cargos. O PMDB revolta-se com a demora de entrega das poltronas prometidas.

– Diante de um cenário tão inusitado, a oposição perdeu a serventia. Não resta ao PSDB e aos seus satélites senão a alternativa de se dissolver como partidos do contra e aderir ao bloco governista. Na oposição, não conseguem ter metade do poder de destruição dos aliados.

– Aderindo ao governo, os oposicionistas não precisariam mais de esgoelar da tribuna para atanazar Dilma. Passariam a combinar, em longos almoções nos melhores restaurantes de Brasília, as emboscadas contra as correções de rumo idealizadas pelo ex-colaborador tucano Joaquim Levy.”

Na UFRN  A reitora da UFRN, professora Ângela Maria Paiva Cruz, reeleita, toma posse hoje em Brasília (Ministério da Educação) para cumprir o seu segundo mandato. Também tomará posse o vice-reitor professor José Daniel Diniz Melo, eleito no final do ano passado.

Sexta-feira, 28, no Centro de Convenções de Natal, ás 19 horas, haverá a solenidade de recondução da reitora e da transmissão do cago ao vice-reitor.

Chuva  Algumas chuvas no final da semana mais concentradas em municípios da região Oeste, segundo o boletim da Emparn: Coronel João Pessoa, 29 milímetros, José da Penha, 17, Luís Gomes, 11, Itaú, 10, Ipanguaçu, 6.

Nos municípios costeiros, chuvas finas em   Canguaretama, 8,9, Senador Georgino Avelino, 7,1, Nísia Floresta, 5,9, Montanhas, 4,1. No Agreste, tirando Nova Cruz (chuvisco de 2 milímetros), nada. No Seridó, idem.

Nordeste  Promovido pela Arquidiocese de Natal, começa, amanhã na sede da Escola de Governo, o seminário “Nordeste 60 anos depois: Mudanças e Permanências. Governadores da região estarão presentes ao lado de  bispos, reitores de universidades, ministros de Estado.

O seminário propõe reeditar o encontro do Episcopado Nordestino realizado em Campina Grande em 1956,  idealizado por Dom Helder Câmara, agora com propostas que  pretendem discutir uma nova agenda positiva para o desenvolvimento do Nordeste.

Livro  O livro da socióloga Berenice Bento, A reinvenção do corpo: sexualidade e gênero na experiência transexual, será lançado, quinta-feira, 28,  coisa das 19 horas, no “Bardallo’s Comida e Arte” (Rua Gonçalves Ledo, 671, Cidade Alta).

Por Woden Madruga