Quem está com as mãos ao alto?

Embora alguns digam que para falar de segurança é preciso ter conhecimento na área, hoje pode-se dizer que essa teoria não “voga”, não vale, tendo em vista que cada potiguar estuda alguma “disciplina” relacionada ao tema… Involuntariamente.  Ontem tivemos a notícia de que a Paraíba fará um controle maior na fronteira com o Rio Grande do Norte, por causa da maior fuga de presos da história do estado, 46 detentos que estavam no Presídio Provisório Raimundo Nonato, em Natal. Isso não é um bom sinal.

Há poucos dias, o assassinato da turismóloga Gizela Mousinho chocou a capital potiguar, assim como chocou o assassinato do agente de viagens Samuel de Albuquerque, em junho de 2015, que colocou na rua 5 mil pessoas no movimento “Natal Pede Paz”; tivemos também a notícia que o jornalista Henrique Arruda foi alvejado, pelas costas, após um assalto em Parnamirim; sabemos de notícias de assaltos em ônibus em Natal; fugas de presos em vários municípios; rebeliões, entre tantos outros casos.

Óbvio que a violência não apareceu de janeiro de 2015 para cá. Óbvio que a violência não é um privilégio do Rio Grande do Norte. Mas é óbvio que o discurso de tentar amenizar a responsabilidade, dizendo que a segurança foi abandonada por anos, não convence a quem ouviu nas propostas de governo, durante a campanha de 2014, a solução imediata de gargalos na segurança, a quem ouviu que o então candidato Robinson Faria havia estudado 20 anos sobre o tema, e como especialista em segurança, sabia dos problemas da área que se propôs a estudar; a quem ouviu que este seria o melhor governador da história do RN.

Promoções dadas por força da Lei não podem ser contabilizadas como “obras” de governo. Substituição de viaturas também não. A criação do Ronda Cidadão é um caminho, mas até hoje se estranha que o experimento tenha sido em bairros com pequenas manchas criminais, como Mãe Luiza, Petrópolis e Areia Preta, este último o bairro que o Governador mora. Sim, foi expandido para a zona oeste, mas até hoje, curiosamente, as principais notícias do projeto são em Mãe Luiza.

Com um grande déficit de homens na polícia, o Governo do RN promete fazer concurso para preenchimento de vagas, embora tenha se comprometido em 2014, e ainda conversava em 2015, com os 824 candidatos aprovados do último concurso, que até hoje brigam na justiça para aproveitamento na polícia. O Governo do Estado diz que logo haverá um novo presídio, em Ceará-Mirim, diz fará reformas em delegacias, mas a impressão é que falta um investimento simultâneo em prevenção, no sentido de educação. E sobre prevenção, um projeto que aparentemente está minimizado é o PROERD (Programa Educacional de Prevenção às Drogas e à Violência), com a exoneração, em dezembro passado, da Tenente-Coronel Margarida Brandão, que reclamou publicamente do remanejamento de 54 policiais do programa, comprometendo a qualidade do trabalho. Terá sido perseguição política?

O fato mais curioso de todos foi entrevista recente do Governador Robinson Faria, a uma televisão local, dizendo que não se sente totalmente seguro e que seria hipócrita se dissesse que se sente totalmente seguro. Essa frase vai de encontro ao posicionamento da secretária de segurança, Kalina Leite, que em outra ocasião, em entrevista à mesma televisão, disse que se sentia segura, sim. Ora, por esse raciocínio então, a secretária de segurança seria hipócrita?

Fato é, se o Governador do RN não se sente totalmente seguro, como policiais fazendo sua segurança, imagine o cidadão comum. Impossível ter sensação de segurança, sem boatos e números sem fim, que não trazem entes queridos de volta.