Seara

Zona de guerra da realidade virtual, e saindo para antipatias da vida real, as redes sociais acabam por ser uma área bem curiosa, e por isso tem sido, cada dia mais, motivo de teses sobre o comportamento das pessoas. Diria mais, seria interessante ver uma tese sobre jornalistas, e pseudo-jornalistas, nas redes sociais locais.

O comportamento relacionado ao Rio Grande do Norte e sua “política de informação” via blogs, redes sociais, varia muito de quantos seguidores as pessoas possuem e quem oferece, ou não, patrocínios, mimos, cargos ou o comumente chamado milho (dinheiro) para se falar bem de um e mal de outro cidadão ou apenas calar, omitir, cegar. Sim, isso existe. Embora ninguém admita publicamente e, claro, não passem literalmente, recibo. Assim como o grão milho, os grãos que são negociados na seara potiguar (e acho que em várias outras, mas no RN é de forma mais descarada) possuem diversas variedades, cores e valores. O que muitos não compreenderam é que cada um pode fazer o que quiser, mas ao receber favores poderia defender a quem paga de forma digna, sem a necessidade de tanta subserviência.

Nesse mundo virtual, muitos querem ser jornalistas, mas apenas querem o bônus de ser. Outros são jornalistas, mas falta o fundamental: Compromisso com a verdade, com o leitor. Dentro dessa falta de compromisso, muitos fazem circular nas redes sociais a versão dos fatos que melhor agrade ao pagador das promessas financeiras. É comum encontrar gente que não consegue argumentar, e nem criticar a crítica (perdão pela redundância) sobre um determinado assunto, que resolve descambar para a agressão verbal, soltando apelidos vergonhosos e achincalhamentos públicos, talvez marcando seu território como se dissesse “não mexa comigo” e/ou crendo que nunca será acionado judicialmente. Limitados.

Entre os potiguares, foto é item fundamental para avaliar quem entrou, está dentro ou entrará no milho. Nessa análise de fotos a régua é instrumento fundamental, já que é por ela que andam medindo as pessoas. Se é alguém querido, o tamanho da régua é um; se não é muito querido, o tamanho da régua é outro. Para uns, a amizade é apenas uma amizade. Para outros, uma amizade é suspeição. Régua cruel.

Fato é que dinheiro pode aparecer para todos, seja de que lado político for, não adianta apontar para o outro se você está comprometido de alguma forma. É feio. É hipocrisia. Afinal, pode ser que o outro que está do lado de lá, gostariam que estivesse do lado de cá, e vice-versa.