Aedes – A Guerra Que Não Acabou

Há praticamente duas décadas o Brasil tem um inimigo que vem matando, deixando sequelas nos brasileiros: O Aedes Eagypti. O mosquito da dengue, assim conhecido, já deu susto na população com algum dos seus quatro tipos. Mas o Aedes não é um mosquito qualquer, é um mosquito polivalente, transmite além de dengue a Zika, a Chichungunya, e se achamos pouco, ainda pode transmitir a Febre Amarela, e doenças que ainda não ouvimos falar aqui, mas ouvimos em outras partes do país, como Oropouche, Mayaro e tantas outras arboviroses (vírus transmitidos por mosquitos). O Brasil vive um momento de epidemia geral de Aedes Eagypti (ou traduzindo, o Odioso do Egito), piorado com casos crescentes de microcefalia, de alguma forma relacionado ao Zika vírus.

A população já sabe como nasce o criadouro do mosquito, mas até agora não tem se dado conta da sua responsabilidade com o assunto, não cuidando do seu quintal, jogando lixo na rua. Qualquer papelzinho, tampinha, qualquer casca de ovo inocente, passa a ser berço para o mosquito da dengue. O Governo Federal tem montado estratégias para o combate ao Aedes, contando com as redes dos estados e municípios. O Governo do Estado solicitou a ajuda das forças armadas e no final de semana passada fez uma experiência piloto na zona oeste de Natal. Não se sabe muito bem o planejamento para as cidades do interior do Rio Grande do Norte, e como as parcerias com os municípios estão sendo articuladas.

Em Natal, há uma análise de dados que tem sido destacada pelo Governo Federal em nível nacional, o “Vigia Dengue”, que funciona colocando ovitrampas (armadilhas) em toda cidade, para analisar a quantidade de ovos do mosquito dentro dessas ovitrampas e cruzar com os dados de notificações de casos suspeitos e casos confirmados. Com o “Vigia Dengue”, o município de Natal consegue perceber as áreas prioritárias de ação, mobilizando as comunidades e concentrando esforços, inclusive com outras secretarias através da criação de um Gabinete de Crise Integrado, já que em Natal não é só o quintal da população que traz altos riscos, mas também o lixo jogado nas vias e terrenos baldios. Depois da primeira semana de ação, há quinze dias, baseada em dados levantados pela Secretaria Municipal de Saúde de Natal, e decisões semanais tomadas pelo Gabinete de Crise, as secretarias do município já estão trabalhando em outras duas áreas da cidade onde a análise aponta maior potencialidade para maior número de casos.

A Empresa de Limpeza Pública de Natal, a URBANA, que integra o Gabinete de Crise, tem uma programação diária de recolhimento de lixo nas vias e terrenos da cidade, mas não há efeito algum sem a conscientização do cidadão, não colocando lixo na rua. Não há empresa no mundo que consiga limpar uma cidade sem a participação da população, que deve ter a consciência de que prejudica a coletividade, que ajuda a ampliar, ou manter, problemas de saúde pública. O presidente da URBANA, Sávio Hackradt, tem dito que “saúde e lixo não combinam. São mais de duzentos pontos de descarte de lixo em Natal, que além de gastar uma fortuna para limpá-los, ainda causa sérios problemas para a saúde pública. É preciso a participação de todos nessa guerra contra o mosquito”.

A hora é de união, de fato, entre Estado e municípios, sem vaidades, sem decisões tomadas de última hora, sem dados aleatórios, mas com esforços concentrados para educação ambiental, e com uma só política: A saúde da população do Rio Grande do Norte.