Não identificação

Em tempos de questionamentos éticos dos políticos e suas razões para dar um “sim” ou um “não”, muitos dizem sentir vergonha alheia dos representantes na Câmara Federal, e aí é preciso abster-se da simpatiza pelo “sim” ou pelo “não”. O ponto central disso é: As pessoas não se reconhecem nos deputados que estavam na votação pela admissibilidade do impeachment da presidente da república. E não se reconhecem não levando em consideração o posicionamento político sobre o assunto, mas como aqueles deputados se mostraram para a sociedade.

Mas ora, alguém votou nessas pessoas. É o mesmo raciocínio de quando muitas pessoas se referem à Câmara Municipal. Dizem não se sentirem representadas. Mas, novamente, alguém votou nas pessoas que estão no parlamento, afinal não caíram em cargos eletivos por acaso. Isso mostra o quanto ainda falta para o brasileiro aprender a votar, a participar de forma mais comprometida da política. Comum é achar quem se iluda por promessas, por beleza, por discursos fáceis, por gente que representa o discurso de novo, mas com velhas práticas políticas. Outras pessoas preferem não participar de qualquer decisão política, como se essa escolha as retirassem de qualquer consequência das decisões que preferiu não tomar parte, ainda que indiretamente, com seu voto.

O parlamento brasileiro, seja nacional, seja local, representa sim essa sociedade, queiram ou não. Não se pode dizer que sejam todos os representantes honestos ou desonestos, o que se pode dizer é que sempre pode haver uma escolha melhor avaliada, intenções analisadas, discursos serenos e realistas que devem toda a atenção, para então tomar uma decisão importante. Todos são tentados pelo que mostra novo, seja de idade ou novo de novidade. Talvez pela esperança de que o Brasil é, ainda, o país do futuro. Mas o novo que se apresenta com assistencialismo barato, como atitudes claramente antiéticas, com práticas comuns aos que são considerados escolhas ruins, suspeitas. Em assim sendo, não pode ser um novo bom, já que ainda mora no velho, na velha política demagógica que abusa da boa fé do povo.

Cidadão que não se identifica com o que está posto no parlamento, já deve começar a tarefa de casa pelas eleições deste ano, se informando e analisando os candidatos para que em um futuro próximo não sinta vergonha da escolha feita, ou não feita.