Memória seletiva

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Na reta final de campanha, com duas pesquisas (IBOPE e CONSULT) apontando que o prefeito de Natal, e candidato à reeleição, Carlos Eduardo, vence a disputa no primeiro turno, os adversários usam as armas que podem para atingir o favorito do eleitor natalense nas pesquisas.

Vejamos especificamente o caso da deputada estadual, e candidata pelo PSDB, Márcia Maia. Márcia, que diz ser candidata por amor à Natal, nunca se colocou como deputada da cidade, talvez porque sempre levada para a Assembléia Legislativa pelas mãos da mãe, Wilma de Faria, serviu mais aos mandatos da mãe no Executivo do que realmente ao povo da capital potiguar.

Wilma de Faria aliás, tem árduas tarefas: Ser eleita vereadora, e com o excedente – esperado – de seus votos fazer seu neto, uma espécie de candidato sombra, Rafael Maia Quindere (filho da sua filha Ana Cristina) vereador pelo mesmo partido, e mais, ser novamente a condutora, o maior cabo eleitoral da campanha de Márcia, ao ponto de parecer que Wilma é a candidata, e não a filha, durante a propaganda eleitoral.

Márcia e Wilma cometem vários equívocos na campanha contra Carlos Eduardo, entre eles o silêncio durante os quatro anos dessa gestão que hoje consideram desastrosa (com Wilma ainda sendo vice de Carlos Eduardo até 31 de dezembro deste ano), a ausência de Márcia nas discussões importantes do município, defendendo ou pedindo pela cidade no meio do caos financeiro pelo qual ela passa. Omitiu-se ou se fez pouco presente quando Natal precisou, é essa a verdade.

Márcia colocou mira no vice de Carlos Eduardo, Álvaro Dias, o tratando como forasteiro na cidade, esquecendo que seu vice, Luiz Gomes, é catarinense, portanto, partindo desse princípio, seria um forasteiro também. Luiz Gomes, do PEN, por sinal, dá a característica de Márcia ser a candidata de Robinson Faria, pela proximidade dele com o governador, assim como a proximidade do vereador de Robinson, Rochinha, com a campanha da deputada Márcia.

Márcia, ansiosa, já fala em 2018, dizendo que Carlos Eduardo será candidato e deixará o vice administrando a cidade. Quem não lembra que foi isso que Wilma fez para alcançar seu primeiro mandato como governadora? Então, Wilma pode mas os adversários das duas não podem? Um peso, duas medidas. Não convencem o eleitorado.

Márcia, que vem da tradicional família Maia, lembrou do nome de família de Carlos Eduardo, citando o nome do primo dele, Henrique Alves como algo pesado, que se queira esconder, e esquecendo duas coisas: Que Wilma de Faria foi parceira do mesmo Henrique Alves que ela critica, na chapa de 2014 (foi a senadora que pediu o apoio de Carlos Eduardo e voto casado com Henrique) e esqueceu do passado da própria família com seu irmão, Lauro Maia, e a Operação Hígia.

A campanha da deputada é composta de vários lapsos de memória e um marketing em formato ultrapassado, buscando cara de novo, em que o povo não quer mais ver, saber. Talvez porque no caso dela não haja credibilidade suficiente para colocar qualquer candidato adversário em situação vexatória. Apesar de Márcia dizer que participou das gestões que mais fizeram por Natal, demonstra falta de conhecimento, e memória (de novo), sobre temas simples, como colocar Internet em todas as praças, mas esquece da Internet de Todos, no governo Wilma, em que, se funcionou, ninguém lembra mas foi matéria negativa no programa Fantástico; além de sequer saber quantas equipes de PSF (Programa de Saúde da Família) existem em Natal, para prometer disponibilizar um pediatra (categoria em falta em qualquer rede de saúde do Brasil) por equipe. Por amor à Natal busca-se uma campanha com propostas reais, com passagem por cargos deixando o nome limpo, e sem hipocrisia.