Luz, Câmera… Encenação!

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De presidente da Assembléia Legislativa, aprovando todo e qualquer projeto vindo do Executivo, passando por vice-governador reclamador, sem abrir mão do cargo e do salário, ao inesperado posto de Governador do Rio Grande do Norte, graça alcançada mais pela rejeição ao nome do adversário do que, de fato, alguma confiança na competência do eleito. Eis o resumo grosseiro da carreira política de Robinson Faria, Governador do RN.

Esse é um governo tem o mau hábito de sempre culpar o outro e, raramente, assumir sua responsabilidade pelo que acontece na administração estadual (como se não tivesse conhecimento antecipado dos problemas que enfrentaria). São dois anos de administração ainda culpando governos anteriores, esquecendo que o governador que aí está fez parte de todos os governos que hoje critica (mesmo rompido com a então Governadora Rosalba Ciarlini, continuou vice), inclusive ajudando, e muito, na aprovação de projetos que ele hoje entende como prejudiciais ao bom andamento da administração estadual.

Esse é um governo midiático, daqueles que fazem qualquer negócio para fingir fazer, e para isso conta com blogs, jornais, jornalistas, profissionais na habilidade (e falta de caráter) de criar e fazer “viver” os fakes nas redes sociais para agredir quem resolve criticar ou questionar o Governo do Estado, todos muito bem alimentados pela administração estadual.

Robinson é o governador que não vai para uma reunião com o presidente da república (tratando de repatriação de recursos para os estados) para ficar e tratar sobre a seca em Caicó, in loco. Nada mais oportuno. Primeiro porque a importância do governador do RN na reunião com o presidente era nenhuma e teria que falar sobre contrapartida, coisa que Robinson não teria o que dizer; e segundo que ficou parecendo que o Governo deu uma enorme importância ao tema. Só pareceu, já que a maior pauta foi falar mal de adversário político do governador, e decidir pelo óbvio: abastecer Caicó, e região, com carros-pipa. Oportunismo barato para melhorar a imagem do Governador. Por sinal, os órgãos do Governo responsáveis pelo monitoramento poderiam ter avisado, em alto e bom som, do colapso de água na cidade mas não o fizeram. E nenhuma solução, de fato, inovadora foi dada. É pires na mão e reclamação nos lábios.

Esse é um governo vaidoso. De gente vaidosa. É fundamental para esse governo destruir o que foi feito pelo outro e assim criar a ideia que o “novo” governo fez, seja o que for! Se coloca como salvador da pátria, como heroi, como gênio da humanidade, e com muita humildade. Apesar de boas iniciativas por um ou outro setor do Governo do Estado, o retrovisor e o vitimismo, falam mais alto. Se há caos na saúde, a culpa é do Governo Federal. Se há caos na segurança, a culpa é de governos anteriores. Se há orientação para fiscalizar o uso indevido de equipamentos em um rio, logo aparece um diretor de algum órgão dizendo que o estado vizinho deveria fiscalizar mais porque seu trecho é maior. É o governo que se diz perseguido e injustiçado em todos os âmbitos. É um governo que tem ainda dois anos para criar uma marca que não seja da mediocridade, inoperância, incapacidade de lidar com críticas e do trauma de ter sido vitorioso em 2014.