Nunca antes

 

Nunca antes na história deste país se viu um presidente investigado, e um ex-presidente condenado. Nunca se viu tanto político entrando e saindo de celas. Nunca se viu tantos grupos com tantas indignações seletivas, apontando o erro dos adversários e esquecendo dos aliados. Nunca se viu flashback maior do “rouba mas faz” quando se questiona certas honestidades arrotadas por aí.

Se espera que todo esse momento político, muito mais que o econômico, mude alguma coisa no presente e no futuro desse país. E no Rio Grande do Norte, será que algo já mudou? Pouco provável. A opinião pública no RN é feita por aqueles que reclamam de tudo e de todos nas redes sociais, mas aprovam nas urnas. E os políticos locais sabem disso. Os gestores sabem disso. Vejamos: É comum vermos o Executivo tomar alguma decisão e algum legislador dizer que foi ele quem fez. Mas, quando a decisão do Executivo não agrada, ou não alcança o esperado, o legislador imediatamente repassa a responsabilidade para quem de direito, tendo em vista que foi feito pelo Executivo. Muita pose para fotos, muita dinâmica no mandato, muito assistencialismo, muito discurso contra a corrupção. Ora, muitos desses já condenados, outros terão a sorte de não serem sequer investigados por razões que a maioria desconhece. Ou não.

Somos a nação dos políticos “blá blá blá”, porque o eleitor assim aceita e sequer procura saber em quem vota e como pensa o candidato. A sensação é que se forem investigar de verdade, e o mais imparcial possível, não vai restar muita gente no cenário político, e a responsabilidade é também do cidadão, que vota, e depois esquece. Assim como o cidadão grita que político é ladrão, mas ele mesmo tendo a oportunidade faz igual, porque muitos já corrompem e são corrompidos no dia a dia, em pequenas e grandes coisas.

Políticos, e gestores em geral, precisam entender que o Brasil pode ser o país do jeitinho, mas ninguém quer esse jeitinho tirando todo mundo da zona de conforto, ainda que não seja dos melhores confortos. Não cabe mais gestor viver de conversinhas interesseiras com fornecedores, nem tão pouco burlar a lei para se dar bem, nem para servir os amigos. A justiça, apesar dos pesares, tem mostrado que tarda mas não tem falhado com muitos. Portanto, que a população perceba que está cercada de falta de ética e honestidade por todos os lados, e que as coisas só mudam se a população brasileira mudar a forma de pensar e fazer as coisas.