O Silêncio dos Nem Tão Inocentes

 

Tal qual um vendaval sem fim, o RN se cobre de mil operações e nomes importantes, outros nem tanto inicialmente, acabam aparecendo nos noticiários nacionais. O problema não é só o ex-ministro, e investigado, Henrique Alves preso no desdobramento das investigações da Lava-Jato. O problema não é só o governador Robinson Faria, delatado em outras operações e também investigado, com operação de busca e apreensão na sua casa nesta manhã, e nos lugares onde costuma despachar, e nem as delações de Rita das Mercês e Gutson Reinaldo que podem fazer o mundo de muitos políticos ruir.

O Rio Grande do Norte tem três grandes problemas, entre tantos, é o que podemos ver mais claramente. Um é o número de probos nessas horas, que apontam os outros e esquecem de si e do seu passado bem recente ou de alguns anos. Gente que tem envolvimento em operações grandes ou pequenas, mas que tentam enganar a sociedade como defensores da ética, da moral, e até dos bons costumes. Um segundo problema é o silêncio da maior casa legislativa do Rio Grande do Norte, a Assembléia Legislativa. Até o momento do final deste artigo, nenhum, mas nenhum deputado se manifestou sobre companheiro condenado dando expediente, apenas sobre companheiro de bancada afastado, mas nenhuma palavra sobre as investigações e a operação hoje na residência do governador Robinson Faria. E não se trata de “avacalhar” com a situação do governador, que é triste para o RN, mas é muito mais triste para a família dele, porém a população precisa saber o posicionamento dos deputados do Estado. O terceiro problema é a nossa imprensa, que expõe até não poder mais alguns nomes, para agradar quem lhe agrada, mas poupa demasiadamente outros, noticiando, sem dar nenhuma opinião a quem lhe oferece melhores condições de vida. Tratamentos distintos para coisas semelhantes. Será essa a real definição de jornalismo que se aprende no RN? Óbvio, como tudo na vida existem exceções, mas essas, cada vez mais raras em terras potiguares.

Nas redes sociais, em alguns momentos, muitos instigados pelo desejo de comer o fígado de uns, mas de outros, um silêncio sepulcral. É isso que é ser “digital influencer” ou alguém que tem opinião sobre tudo? Na verdade, a impressão é que esses não possuem sequer opinião, apenas são marionetes, comandados por quem lhes oferece algo interessante para que falem defendendo A e ataquem B, para que haja o constrangimento no ataque feito em A. A ferocidade é com qualquer cidadão que tenha a “ousadia” de reclamar é absurda e beira a recomendação do uso de remédio controlado, mas é parte de como as coisas são atualmente. Como em tudo na vida, muitas pessoas esquecem que o mundo dá voltas, que não use de argumentos que serão usados contra si próprios. Muito fácil acusar os outros e depois se fazer de vítima, mas a vantagem da verdade é que ela vem para todos, indistintamente, e leva, como um vendaval, todas as máscaras e muitas dignidades que apenas apontavam para a dignidade alheia, como se quem aponta tivesse alguma, não fosse uma situação de oportunismo.

Para o RN resta desejar que dias melhores apareçam, que o tempo ruim vá embora e que o povo aprenda a discernir caráter, espírito público, vontade de fazer pelo Estado, de quem apenas quer se aproveitar do poder para uso pessoal. Além disso, que nossos deputados aprendam a trabalhar pelo povo desse velho RN, e a nossa imprensa não se cale frente ao que vê por ter patrocínio claro , ou nem tão claro, seja de quem for, em nome da credibilidade e não em nome da sobrevivência do fútil e da ostentação diária.

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