Campo Minado

O Rio Grande do Norte vive um momento interessante, tendo em vista que podemos ter um governador, Robinson Faria, que talvez não arrisque ir para a disputa das urnas tentando a reeleição, deixando de ser o homem corajoso, segundo ele próprio, que encara as dificuldades do mundo, abrindo vaga para o seu vice, Fábio Dantas, que além de bem articulado, é imune ao forte desgaste que a administração Robinson enfrenta. Aliás, Robinson Faria também tem uma crise de identidade governamental, entre o sonhador que diz ser e aquele que se depara com a realidade dos fatos, se perdendo na capacidade de tomar decisões e definhando na capacidade de liderar.

A eleição de 2018 é um campo aberto, talvez até minado, pela situação atual do Estado, mas com concorrentes suficientes buscando tentar mudar o cenário atual. A atual administração raspou todo o tacho do Fundo Previdenciário, e agora está querendo mais dois empréstimos, um no Banco do Brasil, que foi aprovado pela Assembleia Legislativa, e aguarda a liberação do banco e tenta outro, com a Caixa Econômica Federal, que ainda depende de permissão dos deputados. Ou seja, a administração Robinson tem criado situações em que deixará muitas dívidas para os futuros governadores do RN e os servidores aposentados com um déficit nunca antes visto.

O que mais funciona nas ações do Governo do Estado são as ações midiáticas, em que as relações de amizade com o governador com a imprensa também incluem anúncios oficiais das campanhas do Governo, buscando diminuir o impacto negativo de uma gestão que poderia mudar a história do RN para ser uma gestão medíocre até na forma de tratar adversários. Tal qual foi a administração da ex-prefeita Micarla de Sousa, que paga sozinha pelo apego ao irreal e terceirização de comando de uma administração.

Assim como o grupo de Micarla, a administração Robinson busca constranger e calar qualquer tipo de crítica, por menor que seja, ao seu governo. Buscam nos seus aliados de dentro, e de fora do governo, o controle daqueles que eles creem que incomodam uma gestão que já demonstrou que não veio para muita coisa. Mas há de se compreender, no Rio Grande do Norte muitos se vendem por muito e outros por muito pouco, seja nas mídias ou na política propriamente dita. O que essas pessoas não contam é que existam outros que não se vendem pelo simples fato de que acreditam nas críticas que fazem e nem são marionetes de ninguém, nem de forma velada e nem de forma explícita. É verdade que no mundo da política, como dizem, a roda gira, e de fato todos estão vendo que gira muito rápido… Para todos. Portanto, calar críticos tentando a ser sutil, ou na base da grosseria, não funciona quando quem critica é convicto do que faz. Calam-se aqueles que preferem ficar bem com todos e procuram, de todas as formas, se segurar ao poder. Coisa de gente fraca e sem credibilidade alguma.