Muito papo e pouca eficiência

E poderia ser discurso de posse de secretários sem muita conversa, poderia ter sido uma posse mais discreta, tendo em vista que basicamente a única pessoa a sair do Governo foi a secretária da SETHAS e primeira-dama, Julianne Faria, porque embora assumam Eduardo Machado (DETRAN) e Estella Dantas (Relações Institucionais), os que deixaram os cargos foram remanejados. A saída da Sra Faria da gestão do marido, numa madrugada e anunciada numa rede social não vem ao caso neste texto.

O que chamou a atenção foi o discurso do governador, que disse começar agora uma reforma de secretariado. Talvez um aviso para os que estão. Aliás, um tanto quanto tardia se for de maneira geral (aqui não se deve contar as mudanças nas pastas de Justiça e Segurança, já com as contas perdidas nas trocas). Robinson Faria começou agradecendo ao PSDB pela indicação de Eduardo Machado, o que demonstra uma aliança já sendo formada. Algum pecado nisso? Nenhum, apenas fica claro que o governador pensa 2018 de forma mais explícita. E mais, embora acuse os adversários de terem parado em 2014, desde lá ele conta a mesma conversa onde chega, inclusive em reuniões, encontros, com estrangeiros, que não devem entender muito bem porque devem saber desses assuntos políticos tão locais. Ontem, 11 de dezembro, não foi diferente. O otimista governador relembrou 2014 e disse que vencerá a próxima eleição (dessa vez sem o PT e Fátima Bezerra ao seu lado nas ruas), e disse ter cumprido 80% das promessas de campanha e que até o final do mandato cumprirá os 20% restantes. Não se sabe como foi calculado esses 80% contados pelo governador. Curiosamente, o governador disse que luta para resolver a questão do servidor estadual, provavelmente se referindo aos atrasos de pagamento (de 25 dias para o Governo e de mais de 70 para os servidores) e pede aos secretários que abram as portas das suas secretarias para o povo. O governador não deve lembrar do episódio recente dos servidores da saúde na SEPLAN, que convidados ou não, foram retirados aos safanões, empurrões e algemas pela polícia militar, com pedido do Governo e autorização do judiciário.

Com uma certa fixação e aparente necessidade de autoafirmação, o governador lembrou (pela milésima vez) que Garibaldi Alves é chamado de “O Governador das Águas”; e Robinson quer mais, porque, segundo ele próprio, Robinson é ousado e sonhador, e disse que será não “só” o governador das águas, mas do turismo, da cultura, da educação, das conquistas sociais, da infraestrutura, do saneamento básico, e por incrível que pareça, disse que será também da saúde e da segurança. Apesar de não colocar o birô no Walfredo Gurgel, apesar dos índices de segurança serem os piores da história e ainda depois de “conhecer” como funciona a segurança na Colômbia, estudado segurança por 20 anos, apesar do HUB não ter chegado até agora, apesar dos números astronômicos esperados pelo turismo do estado nunca terem acontecido, apesar de tanta coisa, o governador crê que tem feito muito pelo Rio Grande do Norte. Quatro anos sendo vice-governador, ele foi candidato sem ter noção da seca que se apresentava no RN e sem pensar como amenizar a situação, sem ter noção da situação financeira do estado, quando dizia que falta “apenas” gestão”. Depois de eleito descobriu que essas coisas existiam e veio a crise econômica do Brasil, a crise na Petrobrás diminuindo os royalties, as poucas indústrias indo embora e muitas sem conseguir conversar com o gestor maior do estado para discutir vantagens fiscais e não mudarem de estado, logo com o governador do diálogo dificultou tudo. Talvez o pensador que inspira o governador o tenha convencido que bocas de fumo davam mais lucro que essas empresas cheias de vantagens fiscais que empregavam diretamente 200 famílias, e indiretamente mais de 450.

Por fim, o entusiasmado governador disse que não teme adversários, que não liga para adversários, não perde tempo com os adversários (embora fale muito neles), disse que os caciques (parecendo uma apropriação indevida da frase da ex-governadora Wilma de Faria) estão se unindo. Pena que desde 2014 Robinson esqueceu o quanto viveu grudado naqueles que ele chama hoje de caciques, as vezes que caminhou ao lado deles, e esqueceu que família tradicional com mandato também é a dele. Robinson crê que seu pior inimigo é o tempo. Tempo este para mostrar seus números, já não muito acreditados pela população. Ao que se percebe o tempo de três anos não foi suficiente para a população perceber o funcionamento da gestão daquele que disse que seria o melhor governador da história do RN. Na verdade, pelo que se ouve nas ruas, o pior inimigo do potiguar também é o tempo, o tempo que falta para chegar 31 de dezembro de 2018 e Robinson de Faria sair da giroflex sem deixar saudade.